terça-feira, 15 de março de 2022

Livros e HQs lidos 2022

 Livros

  • Caminho das Borboletas - Adriane Galisteu
  • Autobiografia de Benjamin Franklin


Quadrinhos


  • Vóltar

sábado, 28 de agosto de 2021

Filmes que assisti

  • Mais forte que a vingança 1972 (Filme com Robert Redford que inspirou Ken Parker) 
  • O Passado não perdoa 1960 (Western com Audrey Hepburn)
  • Uma Voz nas Sombras (Lilies of the field) 1963 
  • A Marca da Forca 1968 (Filme com Clint Eastwood) 

terça-feira, 30 de março de 2021

Animes Favoritos:


 1 - Tate No Yuusha no Nariagari (O Herói do Escudo)

2 - Sword Art on Line

3 - Dragon Prince.

4 - Claymore

5 - Yuyu Hakusho


2 - Evangelion


domingo, 10 de janeiro de 2021

Frases:

Se for comprar alguma coisa de valor, compre terra, Deus não fará outra. Vó do Bernardo Kuster

Pense, apartamentos são donos de muito pouco. Afinal, fazem parte de um condominio, que nada mais é um grupo de pessoas de posses tão limitadas que, em centros urbanos, conseguem comprar apenas uma fração de terra e, por isso, estão condendos a dividí-la eternamente uns com os outros. 

As pessoas não serão capazes de olhar para a posteridade, se não tiverem em consideração a experiência dos seus antepassados - Edmund Burke


Os que têm muito a esperar e nada a perder serão sempre perigosos.

Edmund Burke

Se homens maus se juntam, os bons precisam se associar. Do contrário cairão um a um, sacrificados impiedosamente em uma luta desprezível.

Edmund Burke

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

 Sua força e sua coragem definham sem um antagonista: eles só podem provar o quão são grandes e poderosos se provarem tolerar sofrimento. Você deve saber que os homens bons devem agir da mesma maneira, de modo a não temer problemas e dificuldades, nem lamentar seu duro destino, tomar em boa parte o que quer que lhes suceda, e forçá-lo a tornar-se uma bênção para eles. Não importa o que você suporta, mas como o suporta.


Sêneca, sobre a providência divina

terça-feira, 25 de agosto de 2020

Frases do livro

 Se podemos viver apenas uma pequena parte do que há dentro de nós o que acontece com o resto?


Vivemos aqui e agora. Tudo o que aconteceu antes ou em outros lugares é passado, em grande parte esquecido


O que poderia...O que deveria ser feito com o tempo que temos pela frente? Em aberto e ainda sem forma, leve como o ar em sua liberdade e pesado como chumbo em sua incerteza. É um desejo, um simples e nostálgico sonho voltar a determinado ponto de nossa vida e poder tomar um rumo completamente diferente daquele que fez de nós quem somos.


Do ponto de vista da eternidade isso certamente perde seu significado.


Deixamos algo de nós para trás ao deixar um lugar. Permanecemos lá, apesar de termos partido. E há coisas em nós que só reencontramos ao voltar. Viajamos ao nosso encontro quando vamos a um lugar onde vivemos parte de nossa vida por mais breve que tenha sido. Mas indo ao nosso encontro, temos de confrontar nossa solidão. E não é por isso que tudo o que fazemos se deve ao medo da solidão? Não é por isso que renunciamos às coisas das quais nos arrependemos no final de nossas vidas?


Será basicamente uma questão de autoimagem a ideia que criamos para nós mesmos o que é preciso realizar e vivenciar para que possamos aprovar a vida que vivemos? Se for o caso pode-se descrever o medo da morte como o medo de não ser capaz de ser quem planejamos ser. Se cair sobre nós a certeza de que essa plenitude nunca será atingida subitamente, não saberemos viver o tempo que já não pode fazer parte de toda uma vida.


O verdadeiro diretor da vida é o acaso, um diretor repleto de crueldade, de compaixão, de encontro fascinante.


Os momentos decisivos da vida quando sua direção muda para sempre, nem sempre são marcados por melodramas ruidosos. Aliás, os momentos dramáticos das experiências determinantes são frequentemente muitíssimo discretos. Quando exibem seus efeitos revolucionários e garantem que a vida seja revelada em uma nova luz, isso acontece silenciosamente. E é nesse maravilhoso silêncio que está sua especial nobreza.


Passei 1922 dias no Liceu em que meu pai me colocou. Era a escola mais rígida de todo o país. No terceiro dia, percebi que tinha de contar os dias para não ser esmagado por eles.


Não gostaria de viver num mundo de catedrais. Preciso da beleza e grandiosidade delas fazendo frente às cores sujas das fardas. Gosto das palavras fortes da bíblia. Preciso da alegria de sua poesia. Preciso disso para fazer frente à decadência da língua e à ditadura de slogans inúteis. Mas há outro mundo no qual não quero viver. Um mundo onde o pensamento independente é depreciado e as coisas que mais apreciamos são denunciadas como pecado. Um mundo onde nosso amor é exigido por tiranos, opressores e assassinos. Onde, absurdamente, as pessoas são incentivadas pelo púlpito a perdoar essas criaturas e até a amá-las. É por essa razão que não basta ignorar a Bíblia. Temos de jogá-la fora de vez, pois só fala de um Deus vaidoso e hipócrita. Em Sua onipresença, Deus nos vigia dia e noite. Toma nota dos nossos atos e pensamentos. Mas o que é um homem sem segredos? Sem pensamentos e desejos que só ele conhece? O nosso Senhor Deus não considera que nos rouba a alma com a sua curiosidade? Uma alma que deveria ser imortal. Mas quem, de verdade, iria querer ser imortal? Que tédio saber que o que acontece hoje, este mês, este ano, não importa! Nada teria importância. Ninguém aqui sabe o que seria viver eternamente. E é uma benção nunca sabermos. Uma coisa eu garanto. Este eterno paraíso da imortalidade seria infernal. É a morte, e somente a morte que dá a cada momento beleza e horror. Apenas pela morte o tempo ganha vida. Por que Deus não sabe disso? Por que nos ameaça com uma eternidade que só pode ser insuportavelmente vazia? Não gostaria de viver num mundo sem catedrais. Necessito do brilho dos vitrais, da sua fresca imobilidade, do seu imperioso silêncio. Preciso da santidade das palavras, da grandiosidade da boa poesia. Na mesma proporção, preciso da liberdade de me revoltar contra tudo o que é cruel neste mundo, pois um não é nada sem o outro. E ninguém pode me obrigar a escolher.


Deixamos algo de nós para trás ao deixar um lugar. Permanecemos lá, apesar de termos partido. E há coisas em nós que só reencontraremos ao voltar. Viajamos ao nosso encontro quando vamos a um lugar onde vivemos parte de nossa vida por mais breve que tenha sido. 

sábado, 25 de abril de 2020

Expressōes em latim

https://pt.wikiquote.org/wiki/Prov%C3%A9rbios_latinos

Corvus oculum corvi non eruit - um corvo não bica outro corvo!


1. Abusus non tollit usum: O abuso não impede o uso. Princípio segundo o qual se pode usar de uma coisa boa em si, mesmo quando outros usam dela abusivamente.
2. Ad maiorem Dei gloriam: Para maior glória de Deus. Lema da Companhia de Jesus, usado pelos jesuítas pelas iniciais A. M. D. G.
3. Age quod agis: Faze o que fazes. Presta atenção no que fazes; concentra-te no teu trabalho.
4. Alea iacta est: A sorte foi lançada. Palavras atribuídas a César, quando passou o Rio Rubicão, contrariando as ordens do Senado Romano.
5. Amicus certus in re incerta cernitur: O amigo certo se manifesta na ocasião incerta.
6. Aquila non capit muscas: A águia não apanha moscas. Uma pessoa de espírito superior não se preocupa com ninharias.
7. Arcus nimis intensus rumpitur: O arco muito retesado parte-se. O rigor excessivo conduz a resultados desastrosos.
8. Asinus asinum fricat: Um burro coça outro burro. Diz-se de pessoas sem merecimento que se elogiam mutuamente e com exagero.
9. Audaces fortuna iuvat: A fortuna ajuda os audazes. O bom êxito depende de deliberações arriscadas.
10. Carpe diem: Aproveita o dia. (Aviso para que não desperdicemos o tempo). Horácio dirigia este conselho aos epicuristas e gozadores.
11. Consuetudo consuetudine vincitur: Um costume é vencido por outro costume. Princípio de Tomás de Kempis segundo o qual os maus hábitos podem ser eficazmente combatidos por outros que lhes sejam contrários.
12. Consuetudo est altera natura: O hábito é uma segunda natureza. Aforismo de Aristóteles.
13. Credo quia absurdum: Creio por ser absurdo. Expressão de Santo Agostinho para determinar o objeto material da fé constituído pelas verdades reveladas, que a razão humana não compreende.
14. Dare nemo potest quod non habet, neque plus quam habet: Ninguém pode dar o que não possui, nem mais do que possui.
15. De gustibus et coloribus non est disputandum: Não se deve discutir sobre gostos e cores. Cada qual tem suas preferências. (Provérbio medieval).
16. Dominus dedit, Dominus abstulit, sit nomen Domini benedictum: O Senhor deu, o Senhor tirou, bendito seja o nome do Senhor. Palavras de Jó, quando atingido pela perda de todos os seus bens. São citadas para lembrar, nos infortúnios, a resignação cristã.
17. Do ut des: Dir Dou para que tu dês. Norma de contrato oneroso bilateral.
18. Dura lex sed lex: A lei é dura, mas é a lei. Apesar de exigir sacrifícios, a lei deve ser cumprida.
19. Ecce iterum Crispinus: Eis aqui novamente o Crispim. Frase de Juvenal, falando de um importuno.
20. Errare humanum est: Errar é humano. Desculpa que se apresenta a fim de atenuar um erro ou engano.
21. Esto brevis et placebis: Sê breve e agradarás. Conselho escolástico aplicado à eloqüência.
22. Ex ore parvulorum veritas: A verdade (está) na boca das crianças. As crianças não mentem.
23. Fama volat: A fama voa; a notícia se espalha rapidamente. (Virgílio, Eneida III, 121).
24. Felix culpa: Feliz culpa. Expressão de Santo Agostinho referindo-se ao pecado de Adão, que nos mereceu tão grande redentor.
25. Finis coronat opus: O fim coroa a obra. A obra está completa, de acordo com o seu planejamento.
26. Fugit irreparabile tempus: Foge o tempo irreparável. Virgílio lembra-nos que o tempo passa rapidamente e que não devemos desperdiçá-lo.
27. Hodie mihi, cras tibi: Hoje para mim, amanhã para ti. Usada nas inscrições tumulares e quando se deseja o mesmo mal a quem o causou.
28. Honos alit artes: A honra alimenta as artes. Máxima de Cícero que explica a necessidade de aplausos como incentivo aos artistas.
29. In dubio pro reo: Na dúvida, pelo réu. A incerteza sobre a prática de um delito ou sobre alguma circunstância relativa a ele deve favorecer o réu.
30. Inops, potentem dum vult imitare, perit: O pobre, quando quer imitar o poderoso, perece.
31. Libertas quae sera tamen: Liberdade ainda que tardia. Palavras de Virgílio, tomadas como lema pelos chefes da Inconfidência Mineira e que figuram na bandeira daquele Estado.
32. Medice, cura te ipsum: Médico, cura a ti próprio. Provérbio citado por Cristo e diz respeito àqueles que, esquecidos dos próprios defeitos, desejam corrigir os alheios.
33. Memento, homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris: Lembra-te, homem, que és pó e em pó te tornarás. Palavras pronunciadas pelo sacerdote enquanto impõe cinza na cabeça de cada fiel, na quarta-feira de cinzas.
34. Mens sana in corpore sano: Espírito sadio em corpo são. Frase de Juvenal, utilizada para demonstrar a necessidade de corpo sadio para serviços de ideais elevados.
35. Nascuntur poetae, fiunt oratores: Os poetas nascem, os oradores fazem-se.
36. Natura non facit saltus: A natureza não dá saltos. Leibniz quis com este aforismo mostrar que não existem gêneros ou espécies completamente isolados, mas são todos interligados.
37. Non nova, sed nove: Não coisas novas, mas (tratadas) de (modo) novo.
38. Non omne quod fulget aurum est: Nem tudo que brilha é ouro. Cuidado com as aparências.
39. Primum vivere, deinde philosophari: Primeiro viver, depois filosofar. Aplicado àqueles que, por especulações abstratas, deixam de conseguir o necessário para a subsistência.
40. Qualis vita, finis ita: Tal vida, tal morte. Não pode morrer bem aquele que viveu mal, é o princípio aceito pelos mestres da vida espiritual.
41. Quia nominor leo: Porque me chamo leão. Trecho de Fedro usado para estigmatizar aqueles que abusam de sua posição ou força, para oprimir os fracos.
42. Qui potest capere, capiat: Quem é apto para o admitir, admita. Palavras com que Cristo conclui sua exortação à prática da castidade perfeita (Mateus, 19, 12).
43. Quot capita, tot sensus: Quantas cabeças, tantas sentenças.
44. Quo vadis?: Aonde vais? Pergunta que, segundo a tradição, teria feito Cristo a Pedro na Via Ápia, quando o apóstolo fugia da perseguição de Nero.
45. Similia similibus curantur: Os semelhantes curam-se pelos semelhantes. Med Lema da homeopatia que se opõe à alopatia cujo princípio é: contraria contrariis curantur.
46. Si vis pacem, para bellum: Se queres a paz, prepara a guerra. Aforismo ainda hoje seguido pelas nações, que procuram fortalecer-se a fim de evitar uma eventual agressão.
47. Tabula rasa: Tábua raspada. Expressão muito empregada em linguagem filosófica de origem aristotélica. Aristóteles admitia que o espírito humano era, antes de qualquer experiência, inteiramente vazio como as tabuinhas cobertas de cera em que nada fora escrito.
48. Tempus est optimus judex rerum omnium: O tempo é o melhor juiz de todas as coisas.
49. Timeo hominem unius libri: Temo o homem de um só livro. Santo Tomás de Aquino empregou esta expressão para dizer que temia aquele que não tinha uma cultura vasta, mas era adversário temível quando se aprofundava no estudo de uma especialidade.
50. Tua res agitur: Trata-se de coisa tua. É de teu interesse (Horácio, Epístola I, 18, 84).
51. Tulit alter honores: Outro teve as honras. Queixa de Virgílio por ver outros colherem os frutos do seu trabalho.
52. Tu quoque fili!: Tu também, filho! Exclamação de César ao ver Bruto, considerado seu filho, entre os conspiradores.
53. Ubi Petrus, ibi Ecclesia: Onde (está) Pedro aí (está) a Igreja. Provérbio muito citado pelos apologistas católicos que só consideravam verdadeira a igreja que estivesse em comunhão com o pontífice romano.
54. Vae soli!: lat Ai do solitário! Expressão com que o Eclesiastes (IV, 10) lamenta a fraqueza do homem abandonado à própria sorte.
55. Veni, vidi, vici: Vim, vi, venci. Palavras com que César anunciou, ao Senado Romano, sua vitória sobre Farnaces, rei do Ponto, no ano 47 a. C. São citadas como alusão a um êxito seguro e rápido em qualquer empreendimento.
56. Verba volant, scripta manent: As palavras voam, os escritos permanecem. Provérbio de grande atualidade que aconselha prudência em pronunciamentos comprometedores e na assinatura de contratos bilaterais.
57. Vincit omnia veritas: A verdade vence todas as coisas.
58. Volenti nihil difficile: Nada é difícil a quem quer; querer é poder.
59. Vox populi, vox Dei: Voz do povo, voz de Deus. O assentimento de um povo pode ser o critério de verdade.
60. Vulnerant omnes, ultima necat: Todas ferem, a última mata. Inscrição filosófica em mostradores de relógios. Cada hora fere a nossa vida até que a derradeira a roube.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Maniqueismo e posturas na vida adulta

Quando criancas, é facil assumir e reconhecer o bem. Torcer pelas tartarugas ninja contra o destruidor, pelo he-man contra o esqueleto, pelos smurfs contra o Gargamel, pelo Conan contra os feiticeiros, pela Sociedade do Anel contra Sauron...

Entretanto, quando crescemos, as forças não sao tao preto no branco, o discurso maniqueista é claro e falho ao acusar os lados: fascistas, nazistas, comunistas... mas é dificil, em tantos tons de cinza escolher um lado

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Lanches no vô






Um desses dois da dica do Johnny tem um cachorrao gourmet. 
Opção saudável: Issa e Churrasquinho do Rodrigo
Pizza: Oasis, Carne e cia pioraram muito. As artesanais nao foram satisfatorias e a da JK fechou. A melhor ainda é Oasis mas nao pode pedir de frango.
Esfiha: piorou muito. Tem dia que vem boa, tem dia que nao. 

Lanche: Medieval é o melhor!

domingo, 13 de janeiro de 2019

Pesquisa de passaporte portugueses

Nomes portugueses favoritos: João e Pedro

Sobrenomes favoritos: Falcão, Tavares, Torres, Leal, Cortez, Reis, Corte

Igor Reis Guedes

Igor Guedes d'Ávila


Livros para comprar:

Negros, Estrangeiros - Os Escravos Libertos e Sua Volta À África  - 

Cunha,Manuela Carneiro da - Companhia Das Letras

Foi a Guerra do Paraguai uma espécie de limpeza etnica como afirmam os esquerdistas?

 Keila Grinberg abordou o fato de que pessoas eram reescravizadas por herdeiros que cancelavam cartas de alforria, até mesmo pessoas que eram sequestradas e vendidas como escravos.

título 63 do Livro IV do Código Filipino sem que fossem apresentadas quaisquer evidências empíricas para comprovar se era mesmo fato tão corriqueiro a revogação da alforria por ingratidão como se supunha. O referido dispositivo das Ordenações bastava como prova da precariedade jurídica e social da condição de forro.

Ao que tudo indica, a ameaça de reescravização tinha mais chance de se concretizar nos casos daqueles forros ou descendentes de escravos que se afastavam muito de suas regiões de origem, e/ou, por causa disso, não contavam com o reconhecimento social de suas liberdades.4 Com efeito, não foram poucos os casos de libertos e ingênuos presos sob a suspeição de serem escravos fugidos. Contudo, não se deve confundir o embaraço provocado pela suspeita e pelo encarceramento como sinônimo de reescravização efetiva e irreversível.5 Uma vez comprovada a condição de forro ou livre geralmente esses suspeitos eram postos em liberdade, embora não raro amargassem um bom tempo na cadeia.

Kátia Mattoso também aborda esse tema.

MATTOSO, Kátia M. de Queirós. Ser Escravo no Brasil. SP, Brasiliense, 1988 

Além da reescravização existiram escravos que retornaram para a África:

Trata-se dos descendentes dos cerca de 5 mil escravos libertos que retornaram à África no século XIX e que, segundo o antropólogo Milton Guran, do Laboratório de História Oral e Imagem da Universidade Federal Fluminense (UFF)

As principais comunidades de descendentes de escravos brasileiros que retornaram à África são as dos tabom (em Gana) e dos agudás (em Togo, Benin e Nigéria). Guran explica que a origem da distinção entre eles e os demais africanos relaciona-se ao fato histórico dos retornados terem sido os primeiros moradores a introduzirem, na Costa dos Escravos (ou da Mina), a matriz da cultura europeia. Ou seja, quando voltavam para a África, os libertos levavam consigo diversos costumes e saberes assimilados com os portugueses, no Brasil.
Embora, desde o século XVI, já houvesse um intenso tráfico de escravos que envolvia Europa e Américas, a maior parte da África tinha aberto apenas um pouco de sua “casca” para o exterior. “Até então, o europeu só tinha avançado alguns passos para além de seus entrepostos comerciais, fortins e feitorias, assim mesmo só fazia isso com o consentimento ou a vigilância dos africanos”, explica o diplomata, poeta e historiador Alberto da Costa e Silva, membro da Academia Brasileira de Letras, em seu artigo O Brasil, a África e o Atlântico no Século XIX.
No Brasil, a Revolta dos Malês leva à criação da Lei nº 9, de 13 de maio de 1835 (que regulamentava a deportação de africanos libertos), e da Lei nº 14, de 2 de junho do mesmo ano (que regulamentava duramente o trabalho dos libertos).
Entre os escravos libertos brasileiros que tomaram o rumo da África havia vários pedreiros, mestres de obra, carpinteiros, alfaiates, ferreiros, agricultores e muitos outros profissionais que tinham aprendido ofícios com os portugueses. As casas de pedra construídas pelos retornados, por exemplo, contrastavam com aquelas cobertas de sapé da população local. Aliás, os sobrados erguidos pelos brasileiros em Lagos, na Nigéria, têm virado objeto de estudo de várias faculdades de arquitetura não só do Brasil, interessadas em seus significados sócio-históricos.
Em tempos em que os países europeus, principalmente o Reino Unido, passaram a perceber a África como mercado consumidor – e não mais como exportadora de mão de obra escrava – e a adotar estratégias mais agressivas para adentrar e colonizar o continente, as “maneiras de branco” dos retornados viraram parâmetro para as populações africanas locais. Ou seja, as diferenças culturais entre eles e os nativos corroboraram para que os retornados fossem vistos como “brasileiros” – agudá e tabom –, e não como iorubá, fon, mahi ou qualquer outra etnia. Ao mesmo tempo, eles tendiam a ver os africanos como “selvagens”.

Parece que após 1835 muitos africanos, libertos ou escravos, foram alvos das milícias da coroa:
O chefe de policia Francisco Gonçalves Martins considerou “estranha” a conduta dos soldados de 1ª linha, que estavam matando e espancando os africanos nas ruas da cidade de Salvador, todos os dias. Isto chocou até o próprio chefe de policia, conhecido pela sua rigidez em relação à questão dos africanos. Em 29 de janeiro de 1835, mesma semana do levante, Francisco Gonçalves Martins pedia reforços ao presidente da província para acabar com a onda de espancamentos e assassinatos sofridos por pretos “pacíficos”
APEB. Seção Colonial e Provincial, Chefes de Policia, maço 2949
Deputado Elói Pessoa: Deportar às custas do tesouro publico qualquer liberto suspeito de insurreição:  APEB. Sessão Legislativa. Ata das Sessões da Assembléia Provincial Legislativa da Bahia. Livro 206.
A lei de 13 de maio de 1835 teve grande impacto sobre a vida dos africanos libertos. Afinal, seus 23 artigos visavam essencialmente limitar direitos de propriedade, de autonomia e de permanência na província baiana, constituindo um projeto de deportação dos africanos forros. Contando com o interesse dos chefes de polícia, este processo de deportação poderia ser rápido, fazendo com que a presença africana na Bahia fosse uma memória do passado, a ser esquecido. Com esta lei, os chefes de polícia poderiam aplicá-la segundo sua vontade, pois a categoria genérica de “suspeito” seria motivo para expulsar para fora da província qualquer africana ou africano forro. A história do africano liberto Luiz Xavier de Jesus trás indícios do impacto desta lei na vida dos africanos libertos que viviam na Bahia neste período. 

Sonhos próximos

Chegar a 300
Ganhar uma condecoração
Escrever o quadrinhos

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Carta Monteiro Lobato

Em carta ao amigo Godofredo Rangel: “(…)Dizem que a mestiçagem liquefaz essa cristalização racial que é o caráter e dá uns produtos instáveis. Isso no moral – e no físico, que feiúra! Num desfile, à tarde, pela horrível Rua Marechal Floriano, da gente que volta para os subúrbios, que perpassam todas as degenerescências, todas as formas e má-formas humanas – todas, menos a normal. Os negros da África, caçados a tiro e trazidos à força para a escravidão, vingaram-se do português de maneira mais terrível – amulatando-o e liquefazendo-o, dando aquela coisa residual que vem dos subúrbios pela manhã e reflui para os subúrbios à tarde. E vão apinhados como sardinhas e há um desastre por dia, metade não tem braço ou não tem perna, ou falta-lhes um dedo, ou mostram uma terrível cicatriz na cara. “Que foi?” “Desastre na Central.” Como consertar essa gente? Como sermos gente, no concerto dos povos? Que problema terríveis o pobre negro da África nos criou aqui, na sua inconsciente vingança!…” (em “A barca de Gleyre”. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1944. p.133).

Para quem possa ter dúvida sobre o seu compretimento, um carta ao amigo e médico eugenista Renato Kehl,  esclarece tudo: “Renato, tu és o pai da eugenia no Brasil e a ti devia eu dedicar meu Choque, grito de guerra pró-eugenia. Vejo que errei não te pondo lá no frontispício, mas perdoai a este estropeado amigo. (…) Precisamos lançar, vulgarizar estas idéias. A humanidade precisa de uma coisa só: póda. É como a vinha”.
 Para quem possa não saber o que significa eugenismo (teoria racista de valorização da raça pura), até a wikipédia ajuda:  ” O Brasil foi o primeiro país da América do Sul a ter um movimento eugênico organizado. A Sociedade Eugênica de São Paulo foi criada em 1918.O movimento eugênico no Brasil foi bastante heterogêneo, trabalhando com a saúde pública e com a saúde psiquiátrica. Uma parte, que pode ser chamada de ingênua ou menos radical, do movimento eugenista se dedicou a áreas como saneamento e higiene, sendo esses esforços sempre aplicados em relação ao movimento racial.
Em 1931 foi criado o Comitê Central de Eugenismo, presidido por Renato Kehl e Belisário Penna. Propunha o fim da imigração de não-brancos, e “prestigiar e auxiliar as iniciativas científicas ou humanitárias de caráter eugenista que sejam dignas de consideração“. Medidas que visavam impedir a miscigenação.[8]Higienismo e eugenismo se confundem, no Brasil.
A Revista Brasileira de Enfermagem passa por três fases em relação à eugenia; conceituação (1931-1951), conflitos éticos, legais e morais (1954-1976), e eugenia como tema do começo do século XX (1993-2002). Expressa três categorias de conceitos:
  • 2 – responsabilidade do enfermeiro em relação ao tema
  • 3 – não há solução para os males sociais fora das leis da biologia“.
Hitler também pensava assim.

Mais: “Nos EUA surgiu a eugenia negativa – aliança entre as teorias eugênicas européias e o racismo já existente naquele país -, que consiste na eliminação das futuras gerações de incapazes (doentes, de raças indesejadas e empobrecidos) através da proibição de casamento, esterilização coercitiva e eutanásia”.

mais umas pitadas contextuais temporais do nosso velho de guerra Monteiro Lobato:
1905 (na carta a Tito Lívio Brasil)
".... A mesma lei que faz a criança filha do negro sair, em quaisquer condições do meio e da cultura em que seja colocada, com a pele preta do pai, faz também uma raça conservar sempre os característicos morais dos seus antepassados. No caso individual só um sangue mais elevado, um sangue de raça mais superior, poderá transfundir nos entes novos o germe da progressividade; no caso segundo, só a emigração e a consequente fusão de sangue superior trará uma aptidão congênita para o progresso. É o nosso caso. As melhores leis, os homens mais sábios, a ciência inteira a nosso serviço, não aumentaria de um grão a nossa progressividade. A educação (porque isso seria educação) não operaria na essência do homem, e sim na superfície.
É necessário para que o Brasil ganhe algum dia o estado que almeja da civilização, que a grande qualidade que falta ao mesmo se torne congenital pela inoculação dos vírus modificadores. Faltava-nos aptidão para o trabalho, espírito de iniciativa e ambição. Como poderão ser inoculadas essas qualidades na massa do nosso sangue? Pela educação, propaganda, exemplo, necessidade? Não. Tudo isso junto seria improfícuo.
É pelo italiano e pelo alemão que esse vírus, essa vacina será lançada em nossas veias, e portanto o maior patriota no momento atual é aquele que se casa com uma italiana ou uma alemã e vai trabalhar como um mouro nos campos a fazer bons filhos, sacudidos e espertos."
1916  (na carta a Heitor de Morais)
"... Farto ando da roça e de me aborrecer diariamente com a maior peste que Deus ou o Diabo botou no mundo para eterno castigo dessa besta de carga que é um fazendeiro norte-paulista: o caboclo. Oh! Quadrúmanos! Oh! quadrúpedes (ainda não me firmei em que espécie eles residem) vagabundos! Que horror tem eles ao trabalho! Suspiro pelo domínio alemão no mundo, porque só o alemão, conquistando este país, teria o topete bastante para revogar a Lei 13 de Maio, pichar a caboclada e pô-la a substituir o negro no eito, sob vistas de truculentos feitores armados de uma máquina de surrar aperfeiçoadíssima, movida a eletricidade. Por mal dos meus pecados o Júlio de Mesquista derranca tanto a Alemanha na resenha semanal, que não sei se ela resistirá este 42 vocal. E o Rui por cima a mobilizar o seu exército inumerável de verbalismo..."

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Argumentos politicos - por que me tornei conservador

A geracao politica atual faz de 64 o terror politico. Mas ele atualmente é pouco eficiente.

Nossa geracao nasceu sob o governo de Figueiredo. Foi ditadura, isso não há dúvida. Mas ela foi bem mais branda que de vizinhos latino-americanos ou de ditaduras comunistas.

Talvez o PT se torne ele proprio o fantasma de 64 da atual geracao. A Educacao produz pessimos resultados.

Um exemplo do que esse debate da esquerda tem feito:


E obvio que é um exemplo caritcato, mas real, do que tem acontecido.


O Brasil tem ativos internacionais extraordinarios.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Minha critica ao Capital de Karl Marx

O problema do socialismo é que ele é muito bom em apontar os problemas do sistema capitalista, suas misérias e injustiças, foi excepcional em desvendar a estrutura de seu funcionamento e provar que o trabalhador tem sua importancia, que o trabalho era a força motriz da geração de riqueza e essa foi a base de muitas conquistas trabalhistas.

Entretanto, ele falha em propor uma solução alternativa ao capitalismo.

O mercado, como provou Adam Smith é dinamico e oferece oportunidades nos dias de hoje, graças ao avanço das tecnologias e do acesso de mercado, qualquer trabalhador medio hoje vive mais e melhor que um rei da Idade Media ou mesmo da Idade Moderna.

Pessoas comuns como Silvio Santos ou Luis Barsi pode ascender das camadas mais baixas. O primeiro era um camelo e o segundo engraxate. O socialismo teve baixa penetracao nas classes operarias americana porque o capitalismo foi capaz de oferecer-lhes casa, saude, estabilidade e segurança. Hoje há, inclusive, autores de livros como Pai Rico Pai Pobre que nos ensinam a sair da corrida dos ratos, a realizar investimentos e conquistar a almejada liberdade financeira. 

Enquanto o Capitalismo oferece progresso material e chances reais de crescimento não equalizado entre seres humanos o socialismo oferece apenas a utopia, ideais que, uma vez aplicados, renderam sistemas totalitarios e opressores cujo progresso não foi perene.

Falar contra a propriedade e o dinheiro é falar contra o que cada pessoa, mesmo a menor, conquistou, é falar contra sua vaidade. Mesmo o pequeno proprietario de terras se sente ameaçado por uma Reforma Agraria. 

Um fator que nos choca nos tempos atuais é que empregar crianças era uma realidade no tempo de Marx, esse fator permitia que capitalistas pudessem reduzir seus custos e oferecer preços melhores no mercado, lucrando mais. Não contratar crianças poderia levar uma empresa à falencia pois, caso ela não o fizesse, não teria preço capaz de competir com seus concorrente e, caso vc nao empregasse, outro o faria. era preciso que o Estado regulasse essa situação, mas o Estado era fraco, ele nao conseguia impedir que nenhuma empresa contratasse as pobres crianças e a condicao de miseria das familias era tao grande que eles se viam compelidos a entregar seus filhos a essa condição vil. 

Ficamos entao entre dois paralelos indesejaveis, um estado imenso e hipertrofiado determinando até nossa cultura, ou um estado fraco e incapaz de deter a sanha pelo lucro desenfreado, capaz de submeter criancas a jornadas de trabalho estunuantes e desumanas que, fatalmente, acabariam por conduzi-la ao tumulo. 

Seria a social democracia a unica saida viável?

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Herois Brasileiros

Quando buscamos em uma pesquisa rapida no google pelos maiores herois do Brasil, o que encabeça a lista sao esportistas. É importante lembrar, nesse sentido, da lista dos 100 maiores brasileiros de todos os tempos organizado pelo SBT


  1. D. Pedro II - Imperador, reflorestou a Tijuca, reestruturou o sistema educacional brasileiro praticamente abandonado apos a saida dos jesuitas, venceu a guerra do Paraguai, 
  2. Imperatriz Leopoldina - trouxe equipes de naturalistas para o Brasil, assinou nossa independencia, 
  3. D. Pedro I - proclamador da indepencia, manteve filhos nos tronos do Brasil e de Portugal
  4. José Bonifacio 
  5. D. Joao VI
  6. MAria Quitéria
  7. Gilberto Freyre
  8. Duque de Caxias
  9. Monteiro Lobato
  10. José de Anchieta

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Passagens da bíblia que eu amo:

Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração. Mateus 6:21

Ninguém pode servir a dois senhores ao mesmo tempo Mateus 6:24

Se o proprietário de uma casa soubesse a que hora viria o ladrão, se colocaria em sentinela e não permitiria que a sua residência fosse violada. Mateus 24:43 

E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não se sobrepõe sobre ela João 1:5

“Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.” 1 Coríntios 2:9 

"Se a luz que há em ti são trevas, quão espessas deverão ser essas trevas! São Mateus 6, 23

Pois a boca fala do que está cheio o coração. - Mateus 12:34

Eu não estou sozinho, pois meu Deus está comigo. — João 16:32

Todo o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá. - Mateus 12:25

Aqueles que são sábios reluzirão como o brilho do céu,  aqueles que conduzem muitos à justiça brilharão como as estrelas, para todo o sempre. Daniel 12:3

1 Coríntios 13 Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.

E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.

E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.

O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.

Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;
Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;
Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;
Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.
Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.
Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido.
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.

terça-feira, 8 de maio de 2018

Blogs sobre mito e niet

Antes de embarcar em qualquer jornada, faça a pergunta: Este caminho tem um coração? Se a resposta é não, você saberá, e então você deve escolher outro caminho.
Carlos Castaneda
Joseph Campbell é o cara que criou aquela história da ‘Jornada do Herói’. É também o cara daquele documentário incrível, ‘O Poder do Mito’. Já ouviu falar?
Eu gosto muito. :)
Sabe aquela pilha de livros que você morre de vontade de ler, mas nunca dá tempo? Essa pilha só cresce, né?
Imagina que o cara tava lá, contrariado com as exigências arbitrárias do doutorado, e resolveu largar a coisa toda. Aí, alugou um casebre no meio do mato e passou ali, sozinho, os cinco anos seguintes.
Fazendo o quê?
Lendo.
9 horas por dia, todos os dias.
Segundo ele, o período de estudo e recolhimento foi a base de toda sua vida futura, assim como do conjunto de seu pensamento.
O cara leu todos os livros que ele queria, do jeito que ele queria, no tempo dele.
Uau.
Essa é uma passagem emblemática na biografia do cara. Como você verá, o pensamento de Joseph Campbell é um monumento à coragem de viver a vida nos próprios termos.
[Sugestão de Consumo] Vá com calma. Leia cada citação pelo menos duas vezes, antes de seguir em frente.
__________

 

(1) “A gente precisa se dispor a abrir mão da vida que planejamos a fim de encontrar a vida que espera por nós.”

Deixar-se guiar pelo próprio coração — e não por planos. Abrir mão do desejo de controle. Destemor e confiança. Abertura. Permitir que o que é vivo em nós se manifeste e nos direcione.

(2) “Qualquer que seja seu destino, o que quer que aconteça, diga: “Isso é o que eu preciso”. Pode parecer devastador, mas olhe para aquilo como uma oportunidade, um desafio. Se você trouxer amor para aquele momento — não desencorajamento — perceberá que existe força naquilo.”

Essa é a filosofia do Amor Fati, de Nietzsche. A Força que vem da aceitação incondicional; render-se incondicionalmente à Vida. Requer uma alta dose de desapego. E, de acordo com a sabedoria oriental, premia com a maior das liberdades.

(3) “Você é o herói (ou heroína) da própria história.”

Na real, acho que a maior parte das pessoas, hoje, vive como coadjuvante da própria história. O que é muito triste e não tem nada de heroico. O desafio é sair da periferia da vida, da posição de vítima das circunstâncias, e tomar a vida nas próprias mãos. O que te faz herói ou heroína é tornar-se a um tempo autor/a e protagonista da própria história.

(4) “A caverna em que você teme penetrar guarda o tesouro que você busca.”

A noite escura da alma, que, dizem, precede o despertar de uma nova consciência. Na linguagem da Jornada do Herói, passamos pela Provação Suprema, o encontro com a Sombra, antes de podermos encontrar o Elixir que cura todas as dores.

(5) “Não acredito que as pessoas estejam buscando pelo sentido da vida, tanto quanto pela experiência de se sentirem vivas.”

O sentido da vida, para ele, não é um tipo de enigma a ser solucionado; o sentido da vida é estar vivo. Estar plenamente vivo dá sentido à existência.

(6) “Siga o que enche seu coração de alegria e o universo abrirá portas onde antes só existiam muros.”

Follow your Bliss. Essa frase é considerada a quintessência do pensamento de Campbell. E bliss é uma palavra danada. Ninguém consegue traduzir direito. Então, eu optei por uma expressão: ‘bliss’ = ‘o que enche seu coração de alegria’. A origem do termo, segundo Campbell, é o sânscrito: ‘ananda’. Que significa êxtase, beatitude ou felicidade suprema.

(7) “O maior privilégio da vida é ser quem você é.”

Sócrates ecoa o Oráculo de Delfos: “Conhece a ti mesmo”. Já ouviu isso? Para os gregos antigos, cumprimos nosso destino humano ao amadurecer as sementes de realização que se manifestam por meio de nossos dons e talentos únicos. Nietzsche reformula: “Torna-te quem tu és”.

(8) “A vida não tem sentido. Cada um de nós tem sentido e nós o atribuímos à vida. É bobagem fazer a pergunta quando você é a resposta.”

Essa é matadora! A vida tem o sentido que a gente dá. Nós mesmos somos a resposta para a questão do sentido da vida… Basta se encarar no espelho

(9) “A vida é como chegar atrasado ao cinema, ter de sacar o que tava rolando sem perturbar todo mundo com um monte de perguntas, e aí ser inesperadamente chamado de volta antes de descobrir como o filme acaba.”

Adoro essa imagem! Uma metáfora da condição humana simplesmente… cinematográfica.

 (10) “O objetivo da vida é sintonizar a batida do seu coração com a batida do universo, sintonizar sua natureza com a Natureza.”

Isso é muito lindo. Como o coração do bebê, que bate no mesmo ritmo que o coração da mãe. Assim é. Assim é.

(11) “Se você de fato segue o que enche seu coração de alegria, você se coloca em um tipo de caminho que sempre esteve lá, à sua espera, e a vida que você deveria estar vivendo é a vida que você está vivendo."

Como uma semente caída no asfalto. Pode ficar um bom tempo ali, congelada. Se, no entanto, alguma força externa a conduz até um punhado de terra fértil, ela naturalmente se reconecta com a verdade de seu Ser, seu potencial de realização. Ela desabrocha, cresce, floresce, frutifica. Pois aquele solo sempre esteve lá, à sua espera, e a nova vida que ela passa a viver é de fato a vida que ela deveria estar vivendo.


(12) “De repente, você é atirado/a na situação de estar vivo. E a vida é dor, e a vida é sofrimento, e a vida é horror, mas — meu Deus — você está vivo, e isso é espetacular.”

Para Joseph Campbell (assim como na maior parte das filosofias orientais), faz mais sentido substituir a ânsia por saber, essa busca ansiosa por respostas, pela experiência de deslumbramento, de arrebatamento, de assombro e deleite diante do mistério.

(13) “O mundo sem espírito é uma terra devastada. As pessoas têm a ideia de salvar o mundo mudando as coisas de lugar, mudando as regras, e quem está em cima e assim por diante. Não, não! Qualquer mundo é um mundo válido se está vivo. A coisa a fazer é trazer vida a ele, e a única forma de fazer isso é encontrar em si mesmo onde a vida está e tornar-se vivo você mesmo/a.”

A aridez de viver apartado de si! Lembro bem. Sempre me pergunto: como colocar meus dons e talentos, minha pulsação, para fortalecer o que serve à vida —  em qualquer situação?

(14) “Não podemos curar o mundo de seus pesares, mas podemos escolher viver com alegria.”

Um antídoto para a onipotência. Acho que a única maneira de, verdadeiramente, salvar o mundo é salvar a nós mesmos primeiro. Um ser humano plenamente realizado é a mais profunda inspiração para cada um de nós.

Sou um discípulo do filósofo Dionísio, preferiria antes ser um sátiro a ser um santo” – Nietzsche, Ecce Homo, pr.§2
Se Apolo representa as forças de ponderação e autodomínio, podemos trazer Dionísio como seu antípoda, completo oposto. Deus estrangeiro, asiático e misterioso, Dionísio representa a potência de ruptura e dissolução das fronteiras. Enquanto Apolo fica do lado da bela individualidade, do onírico, Dionísio carrega consigo forças orgiásticas, de rompimento completo das inibições.
O êxtase do estado dionisíaco, com sua aniquilação das usuais barreiras e limites da existência, contém, enquanto dura, um elemento letárgico no qual imerge toda vivência pessoal do passado. Assim se separam um do outro, através desse abismo do esquecimento, o mundo da realidade cotidiana e o da dionisíaca” – Nietzsche, Nascimento da Tragédia, §5
Força irrefreável, sem configuração, bárbara. Dionísio é o deus da música, tanto quanto Apolo, mas em sua face abissal, não representacional. Uma superabundância de forças que tudo carrega. Dionísio é perigoso, nele encontram-se o excesso, o êxtase e a vertigem. O culto dionisíaco na Grécia antiga era regado a vinho e orgias. O impulso dionisíaco desorganiza, ele é o fora, o estrangeiro. Aniquilamento dos hábitos e instituições!
Se Apolo é sinônimo de beleza e comedimento, Dionísio é representante do disforme, do anômalo, da descomunal força da natureza. As duas pulsões são absolutamente legítimas e reais, mas Dionísio carrega em si um exagero, um despropósito, um desregramento, algo que ultrapassa. Estas forças levam inevitavelmente ao abismo. Aliás, a destruição é a própria representação de Dionísio. Filho de Zeus e Perséfone, sua amante, foi perseguido impetuosamente por Hera. Nos mitos gregos conta-se que foi inúmeras vezes capturado e despedaçado, mas renasceu outras inúmeras vezes. Seu dom é o da metamorfose e ele possui inúmeras faces, por isso Nietzsche o toma como personagem conceitual para sua filosofia.
Fluxos contínuos, ciclos da vida, nascer e morrer, a visão de mundo dionisíaca traz consigo uma nova concepção da existência e novos modos de vida. Sem começo nem fim, tudo é um eterno vir a ser! Ímpeto sem finalidade e insaciável. É necessário coragem para encará-la de frente. A realidade como o mais puro mar de forças… como Vontade de Potência, domínio, submissão. Por trás do mundo não existem leis universais, não existe um Deus sustentando tudo. Por trás dos fenômenos existe o caos, o mais puro conflito de forças, ou melhor, os próprio fenômenos se mostram como caos, perturbação perpétua, balbúrdia. Para todo o sempre o mundo é um eterno vir-a-ser, e nada além disso.
A dor apolínea representa a força do crescimento, a dor necessária, a dor bem-vinda. Já Dionísio é arauto da dor pura, descabida, do despedaçamento, a vida como dilaceramento do sujeito atravessado pela obscuridade anárquica e impetuosa. Mas eis o desafio dionisíaco, afirmar até mesmo o excesso,  a desordem obscura, o lance de dados. Não existe um lugar no universo especialmente reservado para nós, não há um plano para cada um, mas isso não é motivo para desespero. Sim, o mundo é falso, cruel, inumano, contraditório, indomável, mas isso não quer dizer que devemos perder a confiança na vida. Este Deus nos convida a confiar novamente na existência. 
Daquele fenômeno fenômeno maravilhoso, que carrega o nome de Dionisio, que só é possível de ser explicado a partir de um excedente de força” – Nietzsche, Crepúsculo dos Ídolos, O que Devo aos Antigos, §4
Apolo permite encarar o desmedido com a medida, mas é pouco. Não queremos olhar o mundo através de nossa individualidade, por mais bela que pareça, queremos também mergulhar nele! Não queremos interpretar o mundo de nossa perspectiva, queremos experimentá-lo em sua plenitude! Sem filtros, sem proteções, sem limitações! As forças dionisíacas são este mergulho de cabeça, transbordamento puro onde homem e mundo não mais se opõem. Quanto mais fundo, mais os antigos dualismos parecem falsos e simplórios, mais nos abrimos para a diferença. Quanto mais fundo, mais longe de si mesmo.
Contudo, é importante levar um importante fato em consideração: as forças dionisíacas (tanto quanto as apolíneas) são pura afirmação e criação. O desejo dionisíaco de destruir está apenas em criar o novo, a negação é submissa à afirmação! No criar está incluído também o destruir! Imanência absoluta, não há espaço para o negativo, outro mundo, outra existência, outro universo. Apenas esta realidade, em todos os seus aspectos, sem deuses para condená-la ou reprová-la.
Eu sou, no mínimo, o homem mais terrível que até agora existiu; o que não impede que eu venha a ser o mais benéfico. Eu conheço o prazer de destruir em um grau conforme à minha força para destruir – em ambos obedeço à minha natureza dionisíaca, que não sabe separar o dizer Sim do fazer Não” – Nietzsche, Ecce Homo, por que sou um destino, §2
Dionísio, ao longo da obra nietzschiana, passa a ser uma visão de mundo, uma perspectiva. Não há como compreender a obra do filósofo alemão sem passar por Dionísio. Ele é o afundamento, a-fundamento. Nele encontramos a morte de Deus, e um convite entusiasmado para reafirmar a ânsia de criação que habita em todos nós. Multiplicidade em constante processo de diferenciação. Metamorfose infinita. Este mundo, como ele é, engole até mesmo as forças figurativas de Apolo.
O dizer Sim à vida, mesmo em seus problemas mais duros e estranhos; a vontade de vida, alegrando-se da própria inesgotabilidade no sacrifício de seus mais elevados tipos – a isso chamei dionisíaco, nisso vislumbrei a ponta para a psicologia do poeta trágico” – Nietzsche, Crepúsculo dos Ídolos, O que devo aos antigos, § 5
Por isso a oposição entre Dionisíaco e o Crucificado é a mais acertada e produtiva para o filósofo alemão. Nietzsche faz o embate entre forças saudáveis, expansivas contra forças doentes e reativas. Negar a negação! O deus grego é o autêntico anticristo, porque vive no vir-a-ser, sem eximir-se da dor e todos os aspectos terríveis da realidade. Nietzsche nos mostra como os gregos, com seus deuses, eram saudáveis o bastante para criar valores e tomar os rumos de suas próprias vidas.
Dionísio é, nas concepção de Nietzsche, o deus que dança, que possui pés ligeiros. Um deus alegre, capaz de rir, gargalhar, e também zombar de todos os valores antigos e degenerados. A tábua de valores precisa e será sempre reescrita sob a força do dionisíaco! Afinal, este deus despreza a moral e os valores cristãos. Com Apolo chegamos à beira da praia, mas com Dionísio mergulhamos no mar de forças que é a realidade! O filósofo alemão nos traz esta entidade como uma concepção de mundo nova, saudável, com um frescor ameaçador, mas ao mesmo tempo cheios de promessas e possibilidades.

ESCRITO POR RAFAEL TRINDADE

"Artesão de mim, habito a superfície da pele" Atendimento Psicológico São Paulo - SP Contato: (11) 99113-3664